15 jun 2012
Seminário Nacional da CTB debate desenvolvimento, política industrial e valorização do trabalho
A profundar o debater acerca do projeto de um projeto de desenvolvimento que atenda as necessidades do país, bem como o anseio dos trabalhadores atrelado é o mote do Seminário “A classe trabalhadora e o desenvolvimento nacional”, promovido em São Paulo, pela CTB através de uma parceria com o CES (Centro de Estudos Sindicais).
Iniciado na última quarta-feira (13), com mesas sobre a política industrial e valorização do Trabalho, o seminário terminou ontem (14) com uma palestra sobre “A integração latino-americana”. Prestigiaram o evento, representações de 15 Estados, além de membros da direção nacional e assessores.
Com palestras do economista e diretor da Fundação Maurício Grabois, Aloísio Sérgio Barroso, e do professor adjunto do Departamento de Economia – UFF, Victor Leonardo de Araujo, ao longo do primeiro dia do seminário, os sindicalistas debateram a necessidade de uma mudança mais profunda na política macroeconômica do país, sobretudo via redução das altas taxas de juros e controle da política cambial, uma vez que, com a valorização do real, a produção nacional acaba enfraquecida pela falta de competitividade em relação aos produtos vindos do exterior, que chegam com preços mais baixos ao Brasil.
Para Aloisio Sérgio Barroso, as medidas anunciadas pela presidenta Dilma Rousseff, apesar de positivas, ainda são tímidas. “O Brasil não acompanhou o avanço da industrial dos demais países e perdeu produtividade. Agora diversas inciativas têm sido tomadas para tentar romper com a fraqueza dessa política macroeconômica. No entanto, a essa altura do campeonato as medidas não resolvem o problema. É preciso ir além e é o Estado que tem essa função”.
Valorização do trabalho
Já no período da tarde, o professor Victor Leonardo de Araújo, abordou a importância de um Projeto Nacional de Desenvolvimento com valorização do trabalho. Durante sua exposição o professor destacou a vantagem do governo Lula em relação ao governo FHC para alcançar este objetivo, seja pelo aumento da renda salarial, seja pelo combate ao neoliberalismo.
“A compreensão mais importante é que houve uma regressão do neoliberalismo no desenvolvimento econômico e social. A partir do governo Lula, que veio após duas décadas de crescimento econômico e social restritivos, começa a se esboçar um projeto de desenvolvimento através das políticas públicas”, avalia o economista.
No entanto, de acordo com o docente, as prioridades deste projeto não são contemplados pelo PAC, visto que, o eixo principal é a estrutura produtiva assimilando os elos que precisam ser constituídos na indústria e a necessidade de inovações tecnológicas para o qual já foram tomados algumas iniciativas como a queda dos juros e com isso incentivar o investimento.
Araújo reforçou a ideia de que para se efetivar um que atenda à necessidades dos trabalhadores, não depende apenas de políticas macroeconômicas, mas principalmente de decisão política com diretrizes fecundas em ativos fundiários (ex: reforma agrária imbuída de incentivo a agricultura familiar e as pequenas produções), ativos financeiros (ex: percepção dos mecanismos financeiros e combate a especulação) e ativos intangíveis associados ao conhecimento (ex: educação).
Na opinião do professor, que questionou aos que acreditam que já exista um Projeto Nacional de Desenvolvimento com Valorização do Trabalho, para ser constituído depende o projeto dependerá de duas condições fundamentais: coalizão política e concepção contemporânea de projeto.
Ao final das palestras os sindicalistas de diferentes segmentos e categorias puderam contribuir com propostas e esclarecer suas dúvidas com os estudiosos.
O Seminário se encerra nesta quinta-feira às 12h, dando início a reunião da direção plena da CTB, nesta sexta-feira (15).
Fonte: Portal CTB




