09 mar 2018

Milhares de mulheres saíram às ruas em todo país contra violência e pela democracia

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Milhares de mulheres protagonizaram em todas as regiões do país e na internet os atos do Dia Internacional de Luta das Mulheres na manhã desta quinta-feira (8).

Logo cedo, às 5h30, o parque gráfico do jornal O Globo, na cidade do Rio de Janeiro (RJ), foi ocupado por cerca de 800 mulheres de diversos movimentos populares, pontuando mais uma vez a crítica à participação da emissora no golpe de 2016, que destituiu a ex-presidenta Dilma Rousseff da presidência da República.

Também para denunciar a participação do setor empresarial no processo de impeachment, cerca de 800 manifestantes ocuparam a fábrica Riachuelo, na região metropolitana de Natal, no Rio Grande do Norte. Além de apoiar abertamente o golpe, o grupo empresarial de Flávio Rocha teve uma condenação em 2016 por praticar um regime de trabalho análogo ao escravo.

Em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, as mulheres trabalhadoras do campo e da cidade marcharam pelas ruas centrais em defesa da democracia e da soberania nacional e fizeram um protesto simbólico contra o feminicídio. Na sequência, elas se deslocaram para o Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF-4) para protestarem contra a criminalização dos movimentos populares, a seletividade da justiça brasileira e o auxílio-moradia dos juízes.

Em Porto Velho, em Rondônia, cerca de 500 mulheres da Via Campesina e Levante Popular da Juventude protestaram bloqueando o acessos aos portos de gás e gasolina.

Já no Pará, as mulheres se uniram contra a construção da Usina de Belo Monte, ao denunciarem o aumento da violência na região após a instalação da hidrelétrica. A cidade é uma das mais violentas do Brasil. Em Belém, 400 camponesas marcharam pelas ruas da capital e escracharam a multinacional Hydro na Amazônia, a maior responsável pelo crime ambiental no município de Barcarena.

No Piauí, mulheres sem-terra ocuparam a sede do Incra, em Teresina, para exigir soluções para os entraves no processo de Reforma Agrária. Também houve ocupação na sede do Incra em Brasília. A Jornada denuncia a violência contra a mulher, o agronegócio e o avanço do governo Temer sobre os direitos da classe trabalhadora em diversos setores.

Na Bahia, em Santo Sé, as trabalhadores sem-terra ocuparam a fazenda da Frutmag, do Grupo Magnesita, que em 2013 demitiu 1.800 trabalhadores. Na cidade de Boa Vista do Tupim, também na Bahia, na região da Chapada Diamantina, as trabalhadoras rurais ocuparam a prefeitura, com o lema pela democracia e pela Reforma Agrária.

No Marto Grosso, as camponesas do MST ocuparam a fazenda Entre Rios, na cidade de Jacira, que está penhorada no Banco do Brasil por empréstimos vencidos e também com dívidas na Receita por não pagar os impostos.

Em Pernambuco, o Fórum de Mulheres do Araripe realizou um ato público contra o fechamento das escolas do campo. Já na capital Maranhense, em São Luís, outro grupo de mulheres ligadas ao MST protestaram em frente à Assembléia Legislativa, onde denunciaram a violência no campo. Em 2017, foram 65 pessoas assassinadas em conflitos no campo em todo o Brasil.

Em Fortaleza, no Ceará, 10 mil mulheres estiveram em marcha pelas ruas da capital. Já em Aracaju (SE), foi realizado uma intervenção na porta do poder judiciário, denunciando a omissão da justiça em relação à violência contra as mulheres. Segundo as organizações que participaram do ato, apenas no estado houve 15 casos de feminicídio entre os anos de 2016 a 2018.

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