05 mar 2018

O Brasil criou empregos formais em janeiro, mas paga menos

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O país teve saldo de 77.822 empregos com carteira assinada em janeiro (alta de 0,21% no estoque), segundo o Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado com atraso pelo Ministério do Trabalho e Emprego. Os números oficiais mostram também que, mais uma vez, os admitidos recebem menos do que os demitidos. E mais de 9 mil pessoas deixaram o emprego após “acordo” com o empregador.

De acordo com os dados, a indústria de transformação abriu 49.500 vagas formais (0,69%), com destaque para os setores de calçados (11.138) e têxtil/vestuário (8.271). A maior alta percentual veio da agricultura (1%), que criou 15.633 postos de trabalho com carteira. Também tiveram crescimento a construção (14.987, 0,75%) e os serviços (46.544, 0,28%). O emprego caiu no comércio, que fechou 48.747 vagas (-0,54%) e na administração pública, com menos 802 (-0,1%).

Em janeiro, o salário médio dos trabalhadores demitidos era de R$ 1.636,41. Já o salário de admissão ficou em R$ 1.535,51. Assim, a rotatividade habitual no mercado de trabalho brasileiro é acompanhada de redução de ganhos.

Naquilo que o Ministério do Trabalho chama de “modernização trabalhista”, referindo-se à Lei 13.467, foram feitos em janeiro 9.356 desligamentos “por acordo”. São aqueles em que o trabalhador abre mão de parte de seus direitos na hora da rescisão contratual.

Quase metade (47,5%) desses “acordos” veio do setor de serviços, e 25% do comércio. Em 544 casos, a demissão foi de vendedor no comércio varejista. Saíram ainda 341 auxiliares de escritório, 320 faxineiros e 280 assistentes administrativos. Assim, a “modernização” atinge diretamente trabalhadores com menor rendimento.

O trabalho intermitente, outra criação da lei de “reforma” trabalhista, teve 2.860 admissões no mês passado, em 636 empresas. Nove pessoas tiveram mais de uma admissão no período. O trabalho parcial registrou 4.982 admissões, sendo 53 mais de uma vez.

O Caged de janeiro deveria ter sido divulgado no mês passado. O ministério não explicou as razões do atraso. Além disso, os dados foram divulgados de forma antecipada para apenas um veículo de comunicação, também contrariando a divulgação habitual.

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