27 abr 2018

O número de acordos e convenções coletivas cai após reforma trabalhista

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O número de acordos e convenções trabalhistas entre empresários e trabalhadores caiu entre 2017 e 2018. Entre fevereiro de 2017 e igual mês deste ano, os acordos coletivos entre um único sindicato e uma empresa caíram 24%. Já o número de convenções coletivas que envolvem sindicatos de trabalhadores e patronais teve redução de 44%.

Os dados são da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), baseados em informações do Ministério do Trabalho. Para economistas, os trabalhadores rejeitam propostas que trazem redução de direitos impostos pela reforma trabalhista do governo Temer.

“Os empregadores apresentam as pautas propondo a introdução de mecanismos novos para flexibilizar ou alterar a forma de contrato, mas os sindicatos não querem aceitar esse tipo de mudança que prejudica os trabalhadores. Isso tem dificultado mais as negociações coletivas e passam a ter processos de negociação mais longos”, afirma o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio.

A contrapartida fica por conta da inflação, para quem está empregado a situação é mais favorável e quase 90% das negociações no primeiro trimestre tiveram ganhos acima do Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) que foi de 1,9%. Os quase 800 reajustes fechados no período tiveram ganho real de 0,9%.

Para o Dieese. os números passam uma falsa sensação de ganho. “Uma inflação menor para quem tem salário significa que o salário teve uma menor perda. O que é importante também observar é que essa inflação extremamente baixa para o padrão brasileiro é decorrente de uma grave crise, que gera mais de 13 milhões de desempregados e outro contingente de pessoas subocupadas. Empregadores repõem a inflação, até dão algum tipo de ganho real, mas continuam pressionando para que a convenção aceite uma redução de direitos”, diz Clemente.

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